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A ESPERA CREPUSCULAR

Início de um relato de viagem, um drama com duas personagens principais, umha reportagem jornalística. Ensaio, crítica literária e narrativa de costumes. Mas acima de tudo um poemário, um diário, um fotogramário... Um poeta desenganado chega a um hotel de Lisboa para escrever um livro.

Vai declarando o projecto e vai-se engastando o poema, a explicaçom. Mas desde o início aparece umha segunda voz a par da sua. As duas acabam por encontrar-se, claro, e acabam por abrir a incerteza da autoria dos poemas. Porque existe o legado da primeira voz para esta, por qualquer incerta utilidade. Empatia. Ou última rebeldia. Porque o tédio, cansaço, frustraçom, vaga obsessom sucessivamente falida, obstinaçom já desnorteada, talvez abúlia, estám também por trás, e levam o poeta primeiro a gozar o prazer quase sádico de imaginar a reacçom à sua morte, que se sugere na terceira parte da trilogia. Mas, por enquanto, vamos com o obrigado ponto de partida da Viagem ao Cabo Nom: «Um percurso poético que nom tem nada que ver com esse tempo de mareantes, tendo completamente que ver. As correntes ainda hoje som tamanhas, tanto que navio aí passando jamais nunca pode nom poder. Tornar. A vontade de viagem, a necessidade de viagem, é o que está em A Espera Crepuscular. E certa forma de regresso, que é conforto. Mas só navegando se percebe.» (do incipit).

Titulo: A ESPERA CREPUSCULAR
viagem ao Cabo Nom / 1

Autor: Carlos Quiroga

Fora de Serie, 6

Santiago, 2002

113 páxinas

13x17cm

ISBN: 84-8487-015-4

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